Consórcio geralmente é relacionado com carros. Isso porque a intenção inicial do conceito, nos anos 60, foi realmente a de obter um carro. Surgiu uma ideia entre amigos que trabalhavam em um banco, que era a de ter um fundo que fosse o suficiente para todos que participassem adquirissem um carro. Cada um pagava suas parcelas e seria sorteado sempre que chegasse ao montante total do veículo.

Todavia, a ferramenta passou a se desenvolver, chegando a ser criada, em 1967, a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios. Com a popularização do modelo de pagamento, diversos outros bens puderam ser adquiridos da mesma forma. 

Em 1991, o Banco Central do Brasil regulamentou e passou a exercer fiscalizações a respeito das operações de consórcio. Logo após, implementaram o mecanismo em um dos maiores sonhos brasileiro, o de ter a “casa própria”, iniciando o consórcio imobiliário.

Em 2009, entrou em vigor a Lei 11.795/2008, que é exclusivamente sobre o Sistema de Consórcios.

Como funciona um consórcio?

Uma administradora de consórcios, autorizada pelo Banco Central, junta grupos de pessoas com interesse de compra em comum. Cada integrante desse grupo paga parcelas mensais do valor total do bem, durante um prazo definido. Funciona como uma poupança em grupo. 

Periodicamente, algum dos consorciados e contemplado pela administradora com o crédito para adquirir aquele bem. Isso é feito até que todos atinjam o objetivo de compra. 

Tipos de contemplação

Existem duas formas do consorciado ter a disponibilização do crédito.

Sorteio: a administradora de consorcio realiza um sorteio entre os consorciados e o vencedor recebe a carta de crédito.

Lance: o lance é uma forma de se antecipar a contemplação. O consorciado oferece um valor referente a uma quantidade de parcelas e cabe a administradora analisar as ofertas.

Consórcio Imobiliário

 

Qualquer tipo de consórcio é um investimento a longo prazo. No caso do imobiliário, a duração pode ser de até 20 anos. Depende das condições acordadas, da administradora que o consorciado escolhe etc.

A administradora oferece opções de cartas de crédito referentes a valor total de imóveis. Com base em seu planejamento financeiro e disponibilidade mensal, você e um grupo passam a pagar esses montantes mensais até serem contemplados e o tempo acordado do consórcio se encerrar.

FGTS no consórcio 

É possível utilizar o FGTS para integrar o pagamento do consórcio. Assim como existem alguns requisitos a serem cumpridos para que o Fundo de Garantia seja liberado para esse fim. 

São quatro as maneiras de usar o Fundo de Garantia de Tempo de Serviço no Sistema de Consórcios. 

  1. No lance – até 100% do FGTS pode ser utilizado para ofertar o lance. Para isso, o consorciado necessita apresentar o extrato do Fundo para a administradora. Importante pontuar que o valor é liberado diretamente ao vendedor.
  2. Complementação à carta de crédito – o FGTS pode ser usado para complementar a carta de crédito na aquisição de um imóvel, seja ele em construção ou já construído.
  3. Abater ou liquidar do saldo devedor – caso o consorciado já tenha sido contemplado e adquiriu um imovel residencial, o FGTS pode ajudar a abater parte ou totalmente o restante das parcelas do consórcio. Essa operação pode ser feita a cada dois anos.
  4. Pagar parte das prestações – o uso do FGTS, neste caso, pode ser feito em até 80% do total da parcela, e podendo acrescentar penalidades por inadimplências.  

Para tudo isso, existem algumas condições:

  • O valor limite deve ser baseado no Sistema Financeiro de Habitação. Atualmente, o valor máximo de avaliação do imóvel é de 1,5 milhão de reais;
  • O imóvel deve ser destinado à moradia do trabalhador e precisa se enquadrar em residencial urbano;
  • O imóvel deve estar matriculado em cartório de registro de imóveis competente, não existindo  agravos que impeçam a comercialização;
  • O Fundo não pode ser utilizado caso o imovel seja concluído sem edificação averbada na matrícula do terreno;

Também há duas situações em que o FGTS pode ser aprovado:

  1. Para aquisição de fração ideal de imóvel: para que o Fundo de Garantia seja usado com este fim, o imóvel deve ser destinado para residência do trabalhador, independente do percentual a ser obtido, e que cumpra os demais requisitos referentes a aquisição de imovel com FGTS.
  2. Imovel misto: um imovel misto é o que compreende uma parcela residencial e uma instalação para atividade comercial. O FGTS só é liberado para a área residencial em  questão, devidamente discriminada do Laudo de Avaliação

Consórcio x Financiamento

Ao buscar por formas de ter um imovel próprio, o mais comum é o financiamento. Nele, o banco faz um empréstimo para que o imóvel já seja imediatamente seu. Você paga uma valor como entrada e vai pagando ao banco parcelas durante o tempo acordado entre vocês.

O motivo do financiamento ser mais popular é justamente pela rapidez em que se consegue o imóvel. Mesmo sem ter pagado nem a metade das parcelas, a pessoa já considera aquele local como dela. 

Já o consórcio, você vai pagando sem ter acesso ao bem ainda. Esperando para ser contemplado, enquanto forma uma espécie de poupança em grupo.  

O consórcio pode ser um pouco mais demorado. Contudo, dependendo do valor do imovel, os juros ou taxa de administração, o tempo a pagar, muitas vezes o consórcio compensa pelo montante total que se paga.

Não existe exatamente um certo ou errado. Tudo depende da sua meta, de quanto tempo e dinheiro poderá investir. É importante saber de todas as opções e discutir isso tanto com sua família quanto com profissionais.