O ano de 2020 foi extremamente atípico nos mais diversos setores. A pandemia gerou uma crise da saúde, desencadeou uma crise econômica, mas o imobiliário só cresceu. 

Com as menores taxas de juros de financiamento, muitas pessoas viram a oportunidade de  realizar o sonho da casa própria ou investir em um imóvel. O setor de construção civil alcançou picos de crescimento impressionantes, neste ano.

O nicho imobiliário dos imóveis econômicos causou uma surpresa nos analistas. A expectativa é que seria a parcela que menos cresceu, devido à crise econômica. Contudo, os imóveis voltados à baixa renda foram os líderes de venda durante a pandemia. 

O  que são imóveis econômicos?

Imóveis econômicos são os adquiridos através do programa Minha Casa, Minha Vida, da Caixa Econômica Federal. O programa é uma iniciativa do Governo federal, que oferece o financiamento à famílias que têm uma renda bruta mensal de, no máximo, 7 mil reais.  

Existem  quatro faixas de renda dentro do programa. Cada uma tem sua especificidade de renda bruta, valor máximo do subsídio, juros e tempo a pagar o financiamento.

Fonte da imagem: gov.br

  • Faixa 1 – voltado à famílias com até 1800 reais de renda. O financiamento é de até 120 meses (10 anos) e as prestações são entre 80 e 270 reais, dependendo da renda bruta familiar.
  • Faixa 1,5 – para famílias com renda de até 2600 reais. O financiamento pode ser pago em até 30 anos, com taxa de juros de 5% ao ano e vale para subsídios de até 47,5 mil reais.
  • Faixa 2 – direcionado à famílias com até 4 mil reais de renda bruta. O valor máximo para um subsídio adquirido é de 29 mil reais.
  • Faixa 3 – destinado à famílias que tem até 7 mil reais de renda bruta. Segundo a Caixa Econômica, esta faixa apresenta algumas taxas vantajosas no financiamento.

Recentemente, foi lançado o programa Casa Verde e Amarela, que tem como público alvo as mesmas famílias do Minha Casa, Minha Vida, as com renda mensal entre 2 e 7 mil reais. Contudo, o Casa Verde e Amarela é principalmente voltado à população do Norte e Nordeste, contendo taxas reduzidas para imóveis dessas áreas.

 

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Mudanças pós pandemia

O setor imobiliário não estava tão em alta no ano passado. As previsões para 2020 é que seria um ano de retomada e crescimento. Com a chegada da pandemia, as expectativas para esse setor acabaram se reduzindo. Contudo, foi surpreendente como tudo se desenrolou.

No último trimestre móvel, encerrado em julho, houve um aumento de 25% de vendas de imóveis, se comparado ao mesmo período de 2019. Se for considerado apenas o mês de julho, em comparação ao do ano passado, o crescimento é de 58%. O melhor resultado mensal desde meados de 2014.

Em relação a imóveis econômicos, notou-se uma grande busca. Por estarmos lidando com uma crise econômica, esperava-se que a população de baixa renda – que é o público dos imóveis econômicos – se retraísse. Todavia, o segmento de baixa renda, que faz parte dos programas Minha Casa, Minha Vida e o recente Casa Verde e Amarela, foi responsável por aproximadamente 75% dos imóveis vendidos.

Incorporadoras focadas nesse nicho do mercado estão confiantes em entregar novos empreendimentos.  Isso se deve aos recordes de venda que alcançaram recentemente.

A Caixa modificou algumas taxas de financiamento no início de outubro. O piso de financiamento imobiliário foi para 6,25% ao ano, enquanto o teto ficou em 8%, somados a taxa referencial (TR). Isso, juntamente da taxa Selic, que está no menor valor da história dela, foram grandes incentivos para aquecer o mercado imobiliário.

Colocando “na ponta do lápis”, para muitas famílias se torna mais vantajoso pagar pelos juros do financiamento do que um aluguel mensal. Sem contar que, no final, é a realização de um sonho de ter a casa própria da família. 

Além das taxas, a busca de certas qualidades em imóveis acabou se alterando também. Com a pandemia, a questão do conforto do lar ganhou destaque. Independente  da renda, o fator qualidade de vida familiar passou a ter muita importância na escolha do imóvel também.

Outro fator que está em alta nas buscas de imóveis é adaptações possíveis a home office. Por mais que seja algo voltado às classes A e B, atualmente, pode se apresentar como tendência geral em um futuro próximo. Um dos maiores pontos nessa questão é o acesso a internet – de preferência, rápida – que o local tem.

De qualquer forma, o mercado está voltando a se aquecer. Isso é ótimo para a economia, para imobiliárias e incorporadoras. Já o cliente, precisa considerar que este pode ser o melhor momento para dar entrada em um imóvel. Com a demanda alta e os juros baixos, deixando créditos imobiliários mais acessíveis, é possível que logo o preço dos imóveis suba um pouco.   

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