O ano de 2020 foi uma surpresa para o mercado imobiliário. Com a pandemia do novo coronavírus, uma crise econômica se formou. Muitos empreendimentos precisaram fechar as portas. Comércios, restaurantes, hotéis foram muito atingidos.

Mesmo assim, o setor imobiliário não sofreu tanto. Na verdade, muitos fatores auxiliaram para que ele se desenvolvesse. Foi um grande alívio para os profissionais da área, que enfrentaram uma crise entre 2014 e 2019. 2020 aqueceu o mercado e mudou alguns pontos do cenário. 

Baixo juros, alta demanda

Com as menores taxas de financiamento dos últimos anos, muitas pessoas aproveitaram a oportunidade para realizar o sonho “da casa própria”. Os juros motivaram, também, os investidores que preferem ter uma renda fixa mais segura.

A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) levantou dados referentes ao mercado imobiliário. A Abecip notou que, em outubro deste ano, os financiamentos imobiliários aumentaram 84%, se comparados ao mesmo período de 2019. Em relação ao mês anterior, houve um aumento de 7,4%. 

Isso fez com que, apenas em outubro de 2020, o valor dos financiamentos chegassem a 13,9 bilhões de reais. Bateu-se o novo recorde de financiamento com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).

Ainda de acordo com os levantamentos da Abecip, entre janeiro e outubro de 2020, foram 324,6 mil unidades financiadas. Comparando ao ano anterior, o aumento foi de cerca de 37%.

Por conta dos números, a expectativa é de que, ano que vem, o mercado imobiliário ainda esteja em evidência como opção de investimento. 

Algo que se notou foi que a baixa dos juros também incentivou que pessoas comprassem imóveis mais caros. 

Como a pandemia afetou o imobiliário

Algumas tendências já estavam se iniciando no setor imobiliário, a necessidade do distanciamento social apenas acelerou todo o processo. 

Apesar de ter uma crescente em compras, o modo dos imóveis mudou. A pandemia do Covid-19, fez com que as pessoas ficassem em casa e entendessem suas reais necessidades. 

Passaram a suas residências como lares de verdade, não apenas dormitórios ou locais de descanso. Por isso, a procura por espaços maiores, com áreas de lazer, se intensificou. Áreas compartilhadas da casa como varanda, cozinha, sala passou a ser uma necessidade.

A procura por casas aumentou. Tanto dentro quanto fora dos condomínios. Contudo, imóveis que têm entorno fechado saíram na frente, pois aliam a maior segurança com o espaço.

Isso contraria o que estava em alta no período pré pandemia. Naquela época, studios e imóveis compactos – principalmente, em grandes centros – eram mais comprados e alugados.

Muitos passaram a trabalhar home office, o que fez com que passassem a notar se a região oferecia uma infraestrutura adequada para estudar ou trabalhar remotamente. A estrutura do próprio imóvel passou a ser o foco também. Espaços maiores para possibilitar um cômodo inteiramente como escritório ou ambiente de estudos passaram a ser mais procurados.

A maioria das pessoas passou a cozinhar em casa. Isso gerou uma procura por apartamentos que comportassem uma cozinha funcional. Muitas dessas pessoas também passaram a se interessar em usar os próprios ingredientes, através de uma pequena horta. Então, a procura por locais com varandas que possibilitem hortas ou de condomínios que possuam uma horta coletiva acabou aumentando.

O foco é no bem-estar, segurança e no aproveitamento do ambiente residencial. Mais espaço para ter privacidade, com cômodos bem definidos. 

Estilo de vida

A pandemia também influenciou no estilo de vida e nas cidades procuradas. Pela flexibilização ganhas através do home office, muitas pessoas viram a oportunidade de sair dos grandes centros. A qualidade de vida pôde ser priorizada.

A busca por imóveis em cidades distantes das capitais foi notada. Principalmente, municípios que se encontram no interior.

Sem a necessidade de comparecer presencialmente todos os dias no trabalho, as pessoas passaram a ter mais coragem de mudar para regiões que se alinhavam com seus estilos de vida. 

Imóveis comerciais

Os imóveis comerciais seguem uma tendência contrária aos residenciais. O motivo é semelhante: o home office. Com a flexibilização das formas de trabalho, as empresas perceberam que não necessitam de grandes escritórios em centros comerciais.

O primeiro trimestre de 2020 se encerrou com uma taxa de 19,3% de imóveis de alto padrão vagos, em São Paulo. As projeções são de que haverá uma dispersão de centros de empregos. Com pessoas migrando para cidades do interior ou bairros mais calmos, haverá uma diminuição de bairros comerciais.

Sendo assim, os espaços comerciais vagos poderão ter uma requalificação para virarem residenciais. Mas essa é uma expectativa que poderá ocorrer a longo prazo.

O que se pode notar do mercado imobiliário em 2020 foi que houve uma grande procura para se investir em imóveis residenciais. As taxas de juros baixas incentivaram para que muitos, finalmente, fossem atrás da “casa própria”.

A pandemia, que forçou as pessoas a ficarem em casa, mudou completamente o modelo de propriedade buscada para se morar.  Em vez de adquirirem um espaço pequeno, utilizado apenas para descanso. Agora, a meta é ter um imóvel maior, com cômodos bem definidos, que traga qualidade de vida. Em contrapartida, os escritórios notaram que não precisam de imóveis amplos para funcionarem.

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